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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Quando ler, por favor, não chore...

... de rir!

O Cume

No alto daquele cume
Plantei uma roseira
O vento no cume bate
A rosa no cume cheira

Quando vem a chuva fina
Salpicos no cume caem
Formigas no cume entram
Abelhas do cume saem


Quando cai a chuva grossa
A água do cume desce
O barro do cume escorre
O mato no cume cresce

Então quando cessa a chuva
No cume volta a alegria
Pois torna a brilhar de novo
O sol que no cume ardia


Típico caso de cacofonia!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Cacofonia em versos!

A alma minha e meu coração
Você segurou numa mão
E a felicidade  havia dado a mim uma nova chance
Pois a vida já não é mais como a concebo
Pois te tenho
Por cada lugar que ando
encontro a doce flor que no cume cheira o nosso amor.

Não foi por acaso que vocês leram maminha, mamão, aviadado, com sebo, e outra coisita... isso se chama Cacofonia, neste caso foi proposital, mas a cacofonia é um problema a ser evitado quando construimos textos "sérios" , pois se trata de produzir através dos sons, palavras incomodas que prejudicam ou corrompem nosso texto.
-Paula Marina-

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Quadrilha da sujeira



João joga um palitinho de sorvete na
rua de Teresa que joga uma latinha de
refrigerante na rua de Raimundo que
joga um saquinho plástico na rua de
Joaquim que joga uma garrafinha
velha na rua de Lili.

Lili joga um pedacinho de isopor na
rua de João que joga uma embalagenzinha
de não sei o que na rua de Teresa que
joga um lencinho de papel na rua de
Raimundo que joga uma tampinha de
refrigerante na rua de Joaquim que joga
um papelzinho de bala na rua de J. Pinto
Fernandes que ainda nem tinha
entrado na história.


Ricardo Azevedo

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Ficar sozinha

Tem dia que preciso ficar sozinha
sem nenhuma companhia
só a minha.
Ouvir minha propria gargalhada
tomar uma caixa de sorvete,
um pedaço de torta gelada,
Pintar as unhas.
Tem dia que só quero minha cama,
que não quero ninguem dizendo que me ama.
Vestir aquela blusa velha e furada,
não atender telefonemas,
esquecer os problemas.
Hoje não estou pra ninguém
nem pra você, meu bem.

-Paula Marina-


segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O teu beijo

Os meus lábios aprenderam o caminho dos teus
o meu desejo sabe o teu beijo
e em toda parte
sigo teu perfume, quase farejo
e em cada face é você que eu vejo.


-Paula Marina-

sábado, 13 de novembro de 2010

Incompatibilidade de gênios


Ele queria meu corpo, mas eu tinha uma alma

Ele estava sempre com pressa, mas eu permanecia calma

Ele fazia os cálculos, eu lia as bulas de remédio

Eu admirava o caminho, ele sentia tédio

Ele tocava samba, eu dançava valsa

Eu estou aqui

Ele...

Eu nem sei mais.

 
-Paula Marina-

sábado, 6 de novembro de 2010

Um poema de amores impossíveis

El amor ascendía entre nosotros
como la luna entre las dos palmeras
que nunca se abrazaron.

El íntimo rumor de los dos cuerpos
hacia el arrullo un oleaje trajo,
pero la ronca voz fue atenazada,
fueron pétreos los labios.

El ansia de ceñir movió la carne,
esclareció los huesos inflamados,
pero los brazos al querer tenderse
murieron en los brazos.

Pasó el amor, la luna, entre nosotros
y devoró los cuerpos solitarios.
Y somos dos fantasmas que se buscan
y se encuentran lejanos.

 
-Miguel Hernadez-


quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Você






Você é a chuva que cai na terra seca
O frescor que me invade todas as manhãs
Você me sorve
E eu te dissolvo em mim.


-Paula Marina-

sábado, 30 de outubro de 2010

Um poema de Hilda Hilst

Ávidos de ter, homens e mulheres caminham pelas ruas.


As amigas sonâmbulas, invadidas de um novo a mais querer,


Se debruçam banais, sobre as vitrines curvas.


Uma pergunta brusca, enquanto tu caminhas pelas ruas.



Te pergunto: E a entranha?


De ti mesma, de um poder que te foi dado


Alguma coisa clara se fez? Ou porque tudo se perdeu


É que procuras nas vitrines curvas, tu mesma,


Possuída de sonho, tu mesma infinita, maga,


Tua aventura de ser, tão esquecida?


Por que não tentas esse poço de dentro


O incomensurável, um passeio veemente pela vida?


Teu outro rosto. Único. Primeiro. E encantada


De ter teu rosto verdadeiro, desejarias nada.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Reunião de Trabalho

Guardo umas irrelevâncias
para soltar como pérolas
sobre a mesa de trabalhos
nas ocasiões mais sérias.

Provoco escândalo e escárnio.

No auge das discussões,
murmuro, com meus botões,
trechos de Dante e Petrarca.
Por falta de referências,
quem percebe as citações?

E quem, em sã consciência,
pleno uso da razão,
com os quatro pés no chão,
convocaria a poeta
para esta reunião?

-Betty Vidigal-

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Regue-me


Venha como a gota de orvalho
Regue a flor que já é sua
Leia o seu nome, eu o escrevi em todos os muros da minha rua
Carregue-me com você nos seus braços, no seu peito, na sua mochila
na sua cabeça, na sua ilha...
Quero te amar encima da casa, debaixo do carro, deitada na lua...

-Paula Marina-

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Sincera demais!

Eu não te quero, mas queria que você ainda me quisesse
Digo que desejo que você seja feliz, mas no momento não acho que você mereça
Seja feliz depois de mim, longe de mim, melhor ainda
Você não foi a pior coisa que me aconteceu
Você não era tão bonito
Sua inteligência era medíocre
Eu te amei
Hoje não mais
Não tenho raiva de você, estou apenas sendo sincera.

-Paula Marina-

domingo, 26 de setembro de 2010

Onírica

Eu me deito

quando ele chega eu sinto.

Ele sorri, um sorriso de sol

que aquece meu corpo, eu onírica,

nós viajamos juntos,

ele me conduz por lugares inéditos,

então o tempo passa, amanhece,

eu acordo e a vida volta ao normal.

-Paula Marina-

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Natureza dele

Ele tem um sorriso de sol,
lábios de flor,
voz de canção,
olhos de céu,
mãos de algodão.

-Paula Marina-

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Um poema de Hilda Hilst

Colada à tua boca a minha desordem.
O meu vasto querer.
O incompossível se fazendo ordem.
Colada à tua boca, mas
escomedida
Árdua
Construtor de ilusões examino-te
ôfrega
Como se fosses morrer colado à
minha boca.
Como se fosse nascer
E tu fosses o dia magnânimo
Eu te sorvo extremada à luz do
amanhecer.

Hilda Hilst

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Desesperada

Apressa-te agora
eu te invoco
como uma louca
apressa-te porque de tanto gritar teu nome
tenho a voz rouca
só sei dizer teu nome.

-Paula Marina-

domingo, 29 de agosto de 2010

Serena


não crio mais lutos
nem corto meus pulsos
descobri que existe na vida algo bem leve
e livre de qualquer especulação
não crio mais dilemas
tenho um mente serena
e mergulho nas águas desse poema
que hoje não me afoga
só me lava
que leva consigo
cada gota da lágrima
(Paula Marina)

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Ausência


Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.


Carlos Drummond de Andrade

domingo, 15 de agosto de 2010

Amor amor

quando o mar
quando o mar tem mais segredo
não é quando ele se agita
nem é quando é tempestade
nem é quando é ventania
quando o mar tem mais segredo
é quando é calmaria

quando o amor
quando o amor tem mais perigo
não é quando ele se arrisca
nem é quando ele se ausenta
nem quando eu me desespero
quando o amor tem mais perigo
é quando ele é sincero

(Sueli Costa e Cacaso)

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Introspecção


"Há pensamentos que são orações.

Há momentos nos quais,

seja qual for a posição do corpo,

a alma está de joelhos. "
Victor Hugo