quarta-feira, 28 de julho de 2010

Um pouco de arte

Ultimamente tenho me deleitado na arte expressionista, creio que esta foi a vanguarda mais universalizante de todas e por isso penso que ela não morreu com o tempo, nem se tornou artigo de museu, creio que o expressionismo já existia muito antes do chamado modernismo, pois ao meu ver é a estética do olhar, é poder ser absorvida pelas imagens que o mundo grita para cada um que seja capaz de ver...

Para o expresionista a arte não é mimética, ou seja, ela não retrata nem imita a realidade, mas captura sob o olhar do artista uma realidade interpretada.
Aqui abaixo cito sua proposta para as artes plásticas e literárias:
"A terra é uma paisagem imensa que Deus nos deu. Temos que olhar para ela de tal modo que ela chegue a nós sem deformação. Ninguém duvida de que a essência das coisas não seja a sua realidade exterior. A realidade tem que ser criada por nós. A significação do assunto deve ser sentida. Os fatos acreditados, imaginados, anotados não são o suficiente; ao contrário, a imagem do mundo tem que ser espelhada puramente e não falsificada. Mas isso está apenas dentro de nós mesmos.
Assim o universo total do artista expressionista torna-se visão. Ele não vê, mas percebe. Ele não descreve, acumula vivências. Ele não reproduz, ele estrutura (gestalted). Ele não colhe, ele procura. Agora não existe mais a cadeia dos fatos: fábricas, casas, doença, prostitutas, gritaria e fome. Agora existe a visão disso. Os fatos têm significado somente até o ponto em que a mão do artista o atravessa para agarrar o que se encontra além deles. " ( Kasimir Edchimid)
Para se ter uma idéia do que seja, isso para aqueles que ainda não conhecem, segue abaixo um poema e algumas pinturas expressionistas:

O visiotário
Jakob van Hoddis
(1918)

Lâmpada, não esquente.
Da parede saiu um braço magro de mulher.
Era pálido e tinha veias azuis.
Os dedos estavam carregados de preciosos anéis.
Quando beijei a mão, assustei-me:
Estava viva e quente.
Arranhou-me o rosto.
Peguei uma faca de cozinha e cortei algumas veias.
Um grande gato lambeu graciosamente o sangue do chão.
Entretanto um homem de cabelos arrepiados subiu
Por um cabo da vassoura encostado à parede.



















O Grito, Edvard Munch, 1893

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